quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A INFLAÇÃO: A BELA, E O MONSTRO A SOLTA!



Caracterização das personagens:

Bela (Economia Angolana)

Monstro (Inflação)


Bela está a viver um momento inigualável, uma longa metragem nunca antes vista nem contada nos  seus anais. Esta história está leva – lá  para um atalho muito perigoso, caso não seja resgatada, poderá ter um final não muito feliz, pois o monstro anda a solta e faminto, acabando por devorar tudo que encontra.

Durante anos, depois de longos e conturbados momentos, Bela viveu uma vida calma sem grande oscilações, distante do monstro e ameaças.

Infelizmente a sua vila foi invadida, pilhada e grande parte das casas foram incendiadas, acabando por deixar a sua vila, sem reservas para suprimir a demanda. Com se não bastasse, surgiram pestes, epidemias na sua vila que, dizimou uma significativa parte dos habitantes. Felizmente bela foi afectada mais acabou por resistir e superar tal adversidade, devido a sua capacidade de resiliência.

Mas no entanto, Bela foi obrigada a imigrar para sobreviver, pois com a sua aldeia sem mantimentos, medicamentos a situação acabara por tornar –se  muito complicada.

Andou de vila em vila, vilarejo em vilarejo, solicitando ajuda para ultrapassar as adversidades com as quais se deparava no seu quotidiano.

Uns à ajudaram outros estavam nem aí para Bela. Quando todos menos esperavam o monstro encontrava –se faminto, como característico do seu instinto animal, deu início a caça, andando de vila em vila, fazendo um número consideráveis de vítimas, concretamente desde os finais do ano de 2015, em que o número já se cifrava em dois dígitos cerca de 14.

O monstro prosseguiu imparável sem existir quem o conseguisse parar; As autoridades locais foram acionadas, com o fito de criar uma estratégia para o deter. Infelizmente, tais medidas não surtiram os efeitos preconizados.

Segundo os últimos dados relevados pelas autoridades, o número de vítimas e estragos na vida dos residentes nas vilas tende a subir, conforme podemos observar no gráfico abaixo:


                                  Fonte: INE, 2016


Desde finais de 2015, que o número de incidentes registados aumentou gradualmente cifrando –se na fasquia muito próxima dos 30, um aumento de 2,10%. Estes dados segundo os registos estatísticos, a quase 20 anos que não se verificam, situação está que,  já está a criar um desalento e também um clima de pânico em algumas populações, pois o “mostro devora tudo e não deixa nada para os cidadãos”.

Agora o monstro prossegue a sua última caçada, com o objectivo de alcançar a Bela, uma das poucas sobreviventes da sua vila e também a mais desejada.

Não existirá ninguém que socorra a Bela?
Será Bela alcançada e devorada pelo monstro?
Desesperadamente, Bela prossegue com o seu plano de fuga, já perdeu uma boa parte dos seus pertencentes e haveres nesta jornada, o que mais ela tem a perder?

A ver vamos nos próximos capítulos.

Tem continuação......

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Economia Angolana: Do ontem para o Hoje





“Ontem passado. Amanhã futuro. Hoje agora. Ontem foi. Amanhã será. Hoje é. Ontem experiência adquirida. Amanhã lutas novas. Hoje, porém, é a nossa hora de fazer e construir”
Chico Xavier
De onde viemos?
para aonde iremos?
A nossa história marcada por lágrimas, prantos, ranger de dentes e risos. Quão fortes seremos?
Nossa história marcada por experiências atrozes, experiências que não vimos, mais quando contada, nos remete a um profundo estado de nostalgia.
Foram mais de 500 anos de escravatura, das mais bárbaras ocorridas na história africana e mundial.
Durou o tempo que tinha que durar e passou, ficaram a lembranças e memórias, ficaram as cicatrizes e as histórias para serem partilhadas com as gerações vindouras.
13 anos;
13 anos é adolescência, marcada por descobertas do mundo, experiências vividas, um encontro do ego.
13, pode significar mudança, insegurança e imprevisibilidade;
13 também pode significar muito para uma nação, um pais que ser ergue, das cinzas, da chama, dos filhos tombados em prol de uma justa causa, almejada e procurada;
13 pode significar: 13 dias de sol radiante, sem a cor do sangue, abundância, fartura;
13, pode ainda significar, fome, seca, duas realidades opostas, dois mundos distintos;
Ergueu – se, enfrentou as dificuldades e superou –as;
Altos e baixos, aos solavancos e trambolhões, vamos que vamos, para frente é o caminho;
A terra, o mar, o ar, fontes de riqueza e diversidade de recursos, também podem significar o limiar de discórdia, exclusão, pobreza e sofrimento.
Muitos encontraram –te deitada e faminta, não estenderam a mão, muitos por ti passaram e desprezaram -te, por fim alguém lembrou -se da tua existência te estendeu a mão e te ajudou a erguer.
O amanhã não sei, diz o velho adágio de que, “o amanhã pertence a Deus”, o amanhã é imprevisível, marcado por incertezas.
O hoje, é fruto ou resultado do passado; Das escolhas feitas, todas com o seu reflexo no presente.
O hoje é risos e tristeza!
O hoje é amargo e doce “agridoce”
O hoje é esperança e incerteza!
O hoje é vida e morte!
O hoje é áureo!
Enfim caminhamos sem saber o futuro que nos espera, as vezes as claras, as vezes as cegas!
Com diferenças, mais livres, mais autónomos, podendo levantar questionamentos sobre o que se pode depreender por “ser mais livres”.
O amanhã te espera, desperta é hora de agir!
É hora de largar o discurso e oratória e ser pragmático, abandonar a perfídia, a falácia e agir com perspicácia e  lealdade. 
O futuro só você pode decidir, cada minuto perdido te será cobrado amanhã.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PARA AONDE VÃO OS DÓLARES?



30/07/15
Janísio C. Salomão[1]



A taxa de juro em Angola voltou a subir após o Banco Nacional de Angola (BNA) ter procedido o seu primeiro ajuste de 9% para 9,25% durante o primeiro trimestre do ano em curso fruto da conjuntura actual do pais, tendo como finalidade contornar alguns indicadores económicos com destaque para a taxa de inflação que tem registado um aumento significativo desde o mês de Fevereiro do corrente ano, quando encontrava – se fixada em 7,44%. A procura de divisas com tendência ascendente, contribuiu fortemente pois, a procura por cambiais tem sido recorrente para a importação de bens com fraca capacidade de produção nacional. A redução da importação de alguns bens e serviços acabou por exercer forte pressão ao mercado, e como corolário, o kwanza sofreu uma acentuada desvalorização.

Ante ao exposto, o comité de política monetária do BNA na sua reunião do 27 de Julho de 2015, quadragésima sexta sessão ordinária decidiu “aumentar a taxa de Taxa Básica de Juro - Taxa BNA – de 9,75% para 10,25% ao ano e a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 10,5% para 11,0% ao ano”[2];
Nosso entender, tais medidas de políticas monetárias, foram desenvolvidas com objectivo de atenuar as fortes pressões a que o mercado se encontrava sujeito com o aumento da taxa de inflação, que alcançou durante o mês de Julho a taxa de 9,61%, considerada a mais alta desde o ano de 2013, em que a taxa de inflação se situou em 8,9%.

Normalmente os Bancos Centrais (BC) aumentam a taxa básica de juro como uma medida de controlo da massa monetária em circulação. Através desta medida, os BC’s podem absorver dinheiro da economia, colocando no mercado Bilhetes do Tesouro ou Títulos dos Bancos Centrais, ou seja, o aumento da taxa básica de juro atraí o investimento em títulos públicos que acabam por diminuir a massa monetária (dinheiro em circulação) na economia, impactando na redução da variável consumo.
E o oposto, redução da taxa de juro, reduz os investimentos em títulos do Banco Central, aumentando o crédito à população, que acaba por aumentar a massa monetária em circulação e consequentemente o consumo.

Como tal, o mercado reage de acordo a lei da oferta e procura, quando a oferta diminui, acaba por aumentar os preços dos bens e serviços e quando aumenta acontece o inverso, os preços diminuem.

No entanto, tais medidas de contenção da inflação devem ser tomadas e analisadas com muita precaução, pois o aumento da taxa básica de juro, acaba por afectar as operações activas (empréstimos) do mercado interbancário, o que torna mais caro o dinheiro e desistimula o investimento que geralmente acaba por repercutir na produção e consumo, reduzindo o ritmo de crescimento que a economia registava.





[1]Mestre em Administração de Empresas; Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas.
[2] Cf.  http://www.bna.ao/Conteudos/Artigos/detalhe_artigo.aspx?idc=175&idl=1&idi=14402